Crítica E Utopia

Crítica E Utopia

Autor: Nelson Levy

Editora: Garamond

SINOPSE

O conceito de utopia, abordado neste livro com rigor e originalidade, suscita algumas questões fundamentais: de onde provém o futuro humano, de quem ele depende, como se configura? Será que germina na simples evolução automática das realidades históricas, que terminaria por transfigurar o tempo presente, remetendo-o a um modo de vida superior ao atual? Também se pode supor que o futuro procede de uma sequência de acontecimentos mentais que começa pela crítica radical aos valores oferecidos como garantia de felicidade; o negativismo dessa crítica recoloca a vida humana no seu vazio de sentido original e instaura uma crise existencial, que só pode se resolver idealmente pela identificação com novos valores e a consequente prefiguração das imagens de um modo ser e de existir alternativo. Ou seja, uma utopia. Assim, o futuro pode ser visto como resultado de um movimento de transcendência dos indivíduos em função de novas experimentações existenciais. A partir desta premissa – a única, aliás, que permite enxergar o papel decisivo do sujeito na configuração dos destinos humanos –, Nelson Levy propõe aqui a utopia como a forma discursiva por excelência de um novo tempo que se apresenta em vista de um vir a ser outro. É fácil perceber o caráter rigorosamente moderno desta concepção, até porque ela implica uma ruptura com as visões naturalistas ou fatalistas dos mundos históricos e passa a entendê-los como construções aleatórias.serviço de determinações subjetivas Entretanto, na maior parte do percurso que se estende do Renascimento até os nossos dias, a utopia foi destronada da sua função de porta-voz de um futuro diferenciado por uma concepção evolucionista que encarava o curso histórico como um processo predeterminado – independente de todo desejo – marchando inexoravelmente em direção a um suposto progresso final da humanidade. Diante desse fatalismo, era de se esperar que qualquer projeção imaginária do devir terminasse estigmatizada, a priori, como delírio de uma mente fantasiosa. Ao se desviar dos seus fundamentos primordiais, a cultura moderna rejeita a utopia e, com isso, torna equivalentes a crise da utopia e a crise da modernidade. Estas são as duas ordens solidárias de questões que este livro aborda. Ele pretende, em suma, reabilitar o conceito de utopia para a historiografia e para a vida prática, resgatando, ao mesmo tempo, o espírito moderno original, recalcado pela onda avassaladora de uma modernidade fatalista e antiutópica regida pelo fetiche do progresso. NELSON LEVY é mestre em Filosofoia (UFRJ) e doutor em História (UFF). Publicou Desejo, o lugar da liberdade: um ensaio ético-político (Brasil Debates1990,); “Princípio da liberdade”, in O desejo (Companhia das Letras, 1990); “Uma reinvenção da ética socialista”, in Ética (Companhia das Letras,1992 ); Ética & história (Relume Dumará,2004 ).

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