Brasil campeão mundial de raios

Brasil campeão mundial de raios

Osmar Pinto Junior e Iara Regina Cardoso de Almeida Pinto - Artliber

sinopse

Os raios sempre impressionaram as pessoas em nosso país, desde o Padre José de Anchieta na fundação da cidade de São Paulo em 1554, passando pelo Marquês de Borba, em sua chegada com a comitiva de Dom João VI ao Rio de Janeiro em 1808, até os dias de hoje. O que não se podia imaginar, naquela época, é que o Brasil, por ser o maior país da região tropical do planeta, possui também a maior incidência de raios do mundo – são cerca de 70 milhões de raios todos os anos. O título de Campeão Mundial de Raios traz com ele consequências. Por ano, morrem 110 pessoas e 500 cabeças de gado, 300 pessoas ficam feridas e os prejuízos superam um bilhão de reais. "Brasil: Campeão Mundial de Raios" revela os mistérios desse fenômeno e busca reduzir esses números. Os primeiros registros relativamente precisos e em tempo real do local e instante da incidência dos raios foram feitos, em 1976, no oeste dos Estados Unidos, incluindo o Alaska, com o propósito de prevenir incêndios florestais, após tentativas não muito bem-sucedidas no final da Segunda Guerra Mundial. Os registros eram feitos a partir da observação das ondas de rádio emitidas pelos raios por um conjunto de sensores, denominado Sistema de Detecção de Raios. Em 1981, já havia sistemas desse tipo em operação em diversas regiões dos Estados Uni­dos, inclusive no estado de Nova York, na costa leste. Nessa época, nós estávamos começando nosso doutoramento no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Somente em 1989, o primeiro sistema de detecção de raios viria a ser instalado no Brasil, no estado de Minas Gerais, pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Era um sistema formado por quatro sensores instalados a algumas centenas de quilômetros de Belo Horizonte, formando aproximadamente um losango com Belo Horizonte no seu centro. Nessa época, já tínhamos terminado nossos doutoramentos e, através de uma cooperação científica entre o INPE e a Cemig, fomos diversas vezes a Belo Horizonte para acompanhar a instalação do sistema. Quando o sistema já estava em operação, a nossa emoção de ver os raios acontecendo em torno de Belo Horizonte em tempo real no monitor de um computador foi indescritível. Mais tarde, em 1995, quando estávamos fazendo pós-doutorado no Centro Espacial Marshall da NASA, em Huntsville, Alabama, nos Estados Unidos, experimentamos essa mesma emoção ao vermos em tempo real raios registrados sobre diferentes partes do planeta por um sensor óptico, similar a uma câmera de televisão, colocado em uma órbita a 710 quilômetros de altitude. Os dois momentos foram marcantes para nós e influenciaram os 26 anos que se sucederam. Durante esse período, criamos no INPE o Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), primeiro centro brasileiro dedicado à pesquisa sobre raios no Brasil. Ao longo desse período, publicamos centenas de artigos científicos, escrevemos diversos livros, participamos de milhares de artigos na mídia, orientamos dezenas de alunos e ministramos centenas de palestras, mas, principalmente testemunhamos milhares de situações ligadas aos raios, de tal modo que podemos dizer que ficamos "íntimos" deles. É essa intimidade que queremos passar aos leitores neste livro. O livro é dividido em sete capítulos. No capítulo I, fazemos uma introdução ao tema, explicando os diferentes tipos de raios e sua ocorrência em nosso planeta; no capítulo II, apresentamos as características dos raios; nos capítulos III e IV, apresentamos as observações de raios feitas no Brasil por satélites e por redes de sensores de superfície, respectivamente. No capítulo V, apresentamos um resumo dos impactos dos raios na sociedade em termos de mortes e prejuízos; no capítulo VI, o conhecimento atual sobre como serão os raios no Brasil no futuro; e, finalmente, no capítulo VII, as considerações finais.

88 páginas

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